quarta-feira, 10 de junho de 2009

As razões

Dia desses eu estava com dois amigos em Pinheiros, tomando uma sopinha no Consulado Mineiro (o buffet de sopas é ótimo, eu recomendo - http://www.consuladomineiro.com.br/), e o Doca, um deles, começou a contar do seu blog - que, aliás, é muito legal e trata principalmente da forma como ele encara as corridas de rua das quais ele participa: http://corridasdodoca.blogspot.com/

Bom, entre uma sopinha de carne de sol e outra de feijão, eu comecei a dar uns pitacos no blog dele - básico eu fazer isso -, sugerir temas diferentes, contar histórias inteiras para incluir lá... Foi quando de repente eu me lembrei que sempre quis escrever alguma coisa.

Quando eu era criança, entre minhas tantas aspirações (advogada, dançarina, pintora, veterinária etc), tinha também a de ser escritora.

Primeiro, eu queria escrever um romance. Mas isso foi na minha fase pré-adolescente, mais sonhadora. Porque lá pelos 16 anos, fui ficando mais "realista" e resolvi que escreveria uma novela sobre a vida cotidiana, igual àquelas do Manoel Carlos (que eu particularmente acho as melhores, embora muitos possam dizer que não existe novela boa e embora esses muitos sejam uns hipócritas que assistem novela escondidos).

Cheguei até a escrever dois capítulos da minha primeira novela, que era ambientada em Veneza, na Itália, e tinha como pano de fundo vários segredos entre as famílias do casal protagonista. Até a trilha sonora eu já tinha escolhido, rs. Por algum motivo, entre uma aula de inglês, outra de violão e o pré-vestibular, acabei largando a novela de lado. (o mais engraçado é que, embora essa novela fosse em Veneza, eu só fui conhecer a cidade mesmo em 2007, mais de 10 anos depois. Eu estava quase como um Chico Buarque e sua Budapeste).

Após essa fase, já na faculdade de Direito, e vendo que eu não ia ter tempo de escrever nada, passei a me contentar em só ler o que os outros escreviam e a sonhar que, quem sabe, na aposentadoria, eu não escreveria um livro de crônicas.

Afinal, foi durante a faculdade que fiquei viciada no seriado norte-americano do comediante "Seinfeld" (http://www.sonypictures.com/tv/shows/seinfeld/), que nada mais é do que uma série sobre o nada, ou melhor, uma série que encara de forma divertidíssima as situações mais comuns. Eu me lembro que chegava da faculdade à noite e meu irmão mais novo já estava me esperando para darmos umas boas gargalhadas juntos assistindo às reprises do dito seriado. Naquela época o metabolismo ajudava e eu me dava ao luxo de comer um pratão de arroz, feijão e bife às 11:30 da noite (buffet de sopa era coisa de velho, rs).

Falando em faculdade, foi lá na PUC (época de movimento estudantil) que eu me dei conta de que a Veja e outras revistas semanais eram verdadeiros instrumentos de alienação da burguesia e que eu só leria para saber como as massas estavam sendo manipuladas e poder criticar depois. Depois de um tempo acabei me cansando de ler só para criticar porque comecei a ficar muito nervosa, rs.

É verdade que eu passei a ter essa visão bem mais crítica e que eu nunca comprei um semanário que não fosse a Caros Amigos ou a Carta Capital depois do segundo ano da faculdade. Mas, como o meu pai, meus sogros, meus tios e quase todo mundo que eu conheço insiste em continuar sendo parte dessa burguesia alienada pela direita, sempre tem uma dessas revistas "dando sopa" por aí e sempre que vejo já estou indo direto para a última página da Veja S. Paulo, onde encontro aqueles textos ótimos de autores variados, como o Walcyr Carrasco.

Então, agora, eu acho que eu quero escrever sobre situações cotidianas mesmo, mas não em formato novela, que eu não vou ter paciência, e tampouco em formato seriado, que eu não vou ter repertório ou capacidade - imagine, querer ser um Seinfeld da vida, eu posso até ser louca mas não sou convencida!

Sendo assim, passando pelos romances, novelas - teve uma fase de poesia aí no meio, mas dessa eu tenho até vergonha - e as crônicas, acabei ficando aqui, no blog mesmo.

Foi naquela minha conversa com o Doca, o meu amigo blogueiro, que me veio a luz: melhor eu entrar nessa onda de blog logo, porque senão, do jeito que eu fui adiando o meu projeto de ser "escritora", vou acabar meus dias escrevendo só petições e pareceres jurídicos (ou nem isso).

Então é isso, comecei. Agora vou sair de férias uma semana e na volta vou ver se tenho coragem de escrever mais. Porque até agora, se for pensar bem, eu acabei não escrevendo nada mesmo, rs.

3 comentários:

  1. realmente... rodízio de sopa é coisa de velho, hein ahuahuahua

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  2. E ai Gabi! Gostei do seu texto e vc já terminou à la Seinfeld "eu acabei não escrevendo nada mesmo". Vc escreveu pra caramba "falando sobre o nada"Adorei! E achei legal que o meu blog, que também começou do nada, serviu de incentivo pra vc! Continue escrevendo que vou seguir por aqui!
    Araka!

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  3. Ae, Gabi!

    Parabéns pelo blog!

    Faltou contar que você já foi editora de um Jornal na PUC!

    Beijos!

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