quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Amigos

Esta semana fui almoçar com três amigos da época da faculdade. Alguns já conheço há mais de dez anos. Mas sempre que nos encontramos me sinto com 19 anos de novo. Será que vai ser assim para sempre? Daqui a 30 anos, cada um com seu trabalho, suas famílias, seus problemas, vamos nos sentar na mesa de uma lanchonete, pedir um milk shake e falar besteiras como nos velhos tempos do movimento estudantil?
Espero que sim. É tão bom...

terça-feira, 24 de novembro de 2009

A saga Crepúsculo

No meu aniversário deste ano ganhei de uma amiga um livro da série Crepúsculo, de Stephenie Meyer. Eu já sabia que era destinado a adolescentes, mas li mesmo assim, afinal, um livro é sempre um livro.
No quesito literatura, realmente não me agradou. A história me pareceu fantasiosa demais, com lobos, vampiros, leitura de mente, previsão do futuro... Quem me conhece sabe que não sou chegada em mitos, lendas e coisas do gênero.
Porém, neste último fim-de-semana acabei assistindo o primeiro filme na TV à cabo. E gostei. Bastante.
Acho que é porque finalmente entendi o que mais cativa a garotada nessa história toda. Ou pelo menos a mulherada. É pensar que existe um homem lindo, forte, dotado de super poderes, cuja maior preocupação é proteger a mulher que ama. Uma mulher comum, que poderia ser eu, você, ou a vizinha. E, no fundo, é isso que todas nós queremos.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Sobre a viagem ao Peru

Voltamos do Peru em 21 de outubro. Foram 10 (dez) dias super corridos de férias. Infelizmente, não deu tempo de conhecer tudo o que queríamos. Ficou faltando a Amazônia peruana - onde, dizem, ainda reside a última linhagem dos verdadeiros xamãs -, também não pudemos ir a Nazca e nem ao Cânion de Colca, o maior da América do Sul.

Nossa viagem começou em Puno, onde fica o Lago Titicaca. Não tem vôo direto do Brasil. Tem que ir para Lima e de Lima pegar um avião para Juliaca. De Juliaca ainda tem uns 45 minutos de estrada até Puno.

Ficamos em um hotel de frente para o lago, o Eco Inn, muito bom! O chato foi aguentar cada taxista que nos levava para lá ficar reclamando que era longe. E não era! Dava para ir a pé do centro até lá. Tipo uns 15 minutos de caminhada. Já fiquei um pouco com a impressão de que aquele povo local, ou pelo menos os taxistas, era meio preguiçoso. Mas essa é uma outra história.

Bom, no Lago Titicaca tem umas ilhas bem legais para visitar, mas as melhores são as dos Uros. São ilhas flutuantes, fabricadas pelos próprios índios, com juncos, cordas e palhas. Elas duram alguns anos e depois têm que ser substituídas por outras. Tem umas 2000 pessoas morando nessa situação. Vivem da pesca e, agora, do turismo.

Ficamos dois dias em Puno e depois fomos para Cusco. Para esse trajeto, pegamos um ônibus turístico, com guia bilíngue, que foi fazendo paradas nas cidades e pontos históricos do caminho. Vale a pena porque a paisagem é muito linda (montanhas com topo de neve) e tem umas ruínas super interessantes.

Chegando em Cusco, fiquei impressionada. Até lá, apesar da beleza das paisagens naturais, só tinha visto cidades muito pobres, com casebres de barro inacabados, aquela cor de terra, uma tristeza. Mas Cusco, por outro lado, pelo menos na parte turística, do Centro Histórico e da Plaza de Armas, se revelou a cidade mais bonita de todas que visitei.

A noite na Plaza de Armas pode ser confundida com a noite de qualquer cidadezinha do interior da Espanha. A catedral, com pinturas maravilhosas e ornamentos talhados em ouro, não deixa nada a perder de algumas igrejas da Itália. Assistimos uma missa nessa catedral, em espanhol, e engraçado que é muito parecida com o formato da missa que temos no Brasil. Como sempre, o sermão daquele dia se encaixou direitinho no que eu estava precisando ouvir.

Ficamos no hotel Andariego, bem no centro da cidade e muito aconchegante. O pessoal lá era uma simpatia e o nosso agente de viagens, o Fernando, ia todos os dias nos dar orientações sobre os passeios.

É de Cusco que sai a maioria dos passeios para as ruínas inkas e mais importantes pontos turísticos de visitação. De lá fomos para o Vale Sagrado, para Ollantaytambo e outras cidades interessantes, e também foi o ponto de partida para pegarmos o trem Vistadome para Aguas Calientes, onde ficam as ruínas de Macchupichu.

Passamos apenas uma noite e um dia em Aguas Calientes (Macchupichu), o suficiente para conhecer tudo. Em Aguas Calientes mesmo dá para aproveitar as termas, que ficam abertas até 21:00h. Para chegar às ruínas de Macchupichu, saindo de Aguas Calientes, é pertinho (9km), pode-se andar ou ir de ônibus. Já em Macchupichu, subimos até o portal do sol (a entrada da cidade pela trilha) e também subimos a montanha macchupichu, a mais alta daquela região, de onde se tem uma vista panorâmica das ruínas.

Gostei bastante de Macchupichu, mas visitei ruínas e paisagens mais bonitas no Vale Sagrado. Achei Macchupichu muito turístico, para falar a verdade. Enfim, acho que a expectativa era tanta que acabei me decepcionando um pouquinho. Mas valeu! Foi legal!

De Aguas Calientes voltamos para Cusco, ficamos mais um dia por lá e depois pegamos um avião para Lima, onde aproveitamos os últimos dias de férias. Lima parece São Paulo, é uma capital como outra qualquer, super movimentada, tem o shopping Larcomar, tem fastfood, tudo normal. Mas também tem museus ótimos, como o Museu do Ouro e o Museu Arqueológico. Neste último, chegamos a passar um dia inteiro e não conseguimos ver tudo, porque o museu fechou com a gente dentro. São peças de porcelana, ouro, tecidos, tudo de épocas anteriores à civilização inka. Imperdível também é o museu da Inquisição, que fica pertinho da Plaza de Armas de Lima.

No dia em que visitamos o museu estava tendo uma manifestação de pessoas pró e contra o aborto. Acho que ia rolar alguma espécie de plebiscito. As pessoas todas seguravam cartazes, xingando uns aos outros, cada partidário de um lado, batalhão de choque... E eu e o Marcio lá no meio, tentando sair da rua do museu. Foi engraçado. Teve uma hora que os ânimos estavam tão inflamados que nos vimos cantando junto, para nos infiltrar: "no a la muerte, si a la vida! no a la muerte, si a la vida!" Hilário.

A viagem foi boa. Mas voltei um pouco triste também. De ver tanta pobreza, de pensar como alguns têm tanto e outros não têm nada. Isso fica muito evidente, principalmente nas cidades menores do Peru. O nordestino brasileiro é rico perto daquele povo. E existe muita desigualdade racial também. Os poucos brancos são os que dominam os melhores empregos. Os índios, que são 90% da população (pelo menos aparentemente) ficam sempre com os trabalhos braçais e menos qualificados. E não conseguem eleger um presidente que os represente, como aconteceu na Bolívia. No Peru, vendo a direita dominar, chego a me sentir agredida. Será que se pode falar em democracia em um país em que a maioria pobre não tem informação ou educação suficiente para qualificar melhor seu direito de voto?

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Luto

Acabo de voltar do velório de um menino de 20 e poucos anos, que foi meu vizinho e que prestava serviços para toda a minha família quando o assunto era computador e coisas tecnológicas em geral.
O nome dele era Bruno. Era um menino muito bom, inteligente, educado, simpático...Todos gostávamos muito dele. Estava voltando de moto, da balada, nesta madrugada. Morreu a poucos quarteirões de sua casa. Foi embora cedo. Muito triste.
Odeio motos.

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Tentando voltar...

Andei um tempo sem escrever, em razão da correria diária - aliás, andei um bom tempo sem sequer entrar nos blogs dos amigos. Porém, hoje entrei no blog e logo vi um comentário do Doca, me cobrando mais postagens. Isso me animou bastante! (aeeeee Doca, sempre você, hein?)
O bom é que tenho bastante história para contar. Acabo de chegar de minha viagem ao Peru, a terra dos Inkas.
Infelizmente, só vou poder contar amanhã ou no fim-de-semana. Muitas pendências para resolver aqui no escritório. Mas juro que volto logo.

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Desculpas esfarrapadas

Tenho corrido tanto, entre trabalho, mestrado, aulas de italiano, marido, academia, cachorros... Nesse meio tempo, o blog foi ficando de lado. É muita coisa para contar e ao mesmo tempo nada de útil para escrever. Espero que a inspiração venha no feriado.
De qualquer forma, apenas para cumprir a "função social" do meu blog (rs), segue uma dica muito boa, para aqueles que não sabem:

http://www.restaurantweek.com.br/
"São Paulo é reconhecida internacionalmente pela sua gastronomia e por abrigar excelentes restaurantes nos quais se pode apreciar o melhor da culinária mundial. O Restaurant Week, que acontece entre 31 de agosto a 13 de setembro, vai mostrar o porque. São 202 restaurantes participantes que aceitaram o desafio de criar menus especiais a valores populares. Os menus sao compostos por entrada, prato principal e sobremesa com valor fixo para todos os restaurantes: R$ 27,50 no almoço e R$ 39,00 no jantar".

Eu já fui no Porto Rubayat, muito bom, e amanhã pretendo ir ao Shintori. Entre no site.

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Cãoflexão

Ao invés de correr atrás da bolinha e de roubar o meu chinelo embaixo da mesa, como sempre faz enquanto tomo o meu café-da-manhã, hoje ela ela estava lá, sentadinha, sem graça, num canto da cozinha. Ela que só costumava parar ou calar (não necessariamente ao mesmo tempo) quando dormia, dessa vez estava meditando, em silêncio, olhando para o nada.
Mais uma semelhança que encontrei entre os cães e a gente quando fui procurar a razão de tanta melancolia: a Lilica ficou mocinha.

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Combinado não é caro!

Quem me conhece bem, às vezes se incomoda um pouco com esse meu jeito repetitivo de esclarecer as coisas.
Quando, numa segunda-feira, combino com uma amiga um jantar para o sábado, por exemplo, pergunto-lhe umas três vezes, no decorrer da semana: então sábado, em tal lugar, a tal horas, né? Sempre penso que ela pode se esquecer do compromisso, pode errar o lugar, ou simplesmente pode me deixar esperando uma hora sozinha na mesa porque errou o horário.
Para o Marcio é a mesma coisa. Quando peço para ele pagar uma conta no dia seguinte, invariavelmente, no dia seguinte, antes de sair de casa, deixo a conta no meio da carteira dele para ele lembrar meeesmo. E antes do fim do expediente bancário, ligo de novo para confirmar se a conta já foi paga. Mesmo assim, não foram raras as vezes em que ele esqueceu de pagar a conta, apesar de tantos lembretes, porque, afinal, "- não é sempre você quem paga as contas, querida?".
Ou quando vou falar com a mulher do Ourocard: " - Então, Fulana de Tal, você entendeu que eu quero cancelar o meu cartão. Mas é o do BB e não da CEF, hein? Quer anotar de novo o número? Repete para eu ver se você entendeu direito. Isso, isso mesmo. Então obrigada por cancelar o meu cartão nº xxxxxx, do BB e não da CEF e ainda bem que esta ligação está sendo gravada às XXhoras do XXdia".
Na vida profissional, não gosto de firmar acordos verbais. Nada como um contrato escrito, minucioso e claro sobre as regras do jogo. Quem faz o quê, em que momento, data do pagamento etc etc.
Parece coisa de louca? Pois é, parece. Mas não é. Eu já vivi o suficiente para aprender que a comunicação é algo muito complexo. E o bom senso é a coisa mais subjetiva do mundo! Só existe na cabeça de cada um. O que é claro para uma pessoa, pode não ser tão claro para a outra.
Então, principalmente no ambiente de trabalho, mesmo quando se tratar de um projeto que não envolva valores em pecúnia, é importante traçar bem as funções, obrigações e deveres de cada parte envolvida. Porque, em algum momento, alguém vai dizer que não era bem assim que tinha ficado entendido. E aquela conversa tão clara, tida lá atrás, se torna bastante complexa, cheia de subentendidos, entrelinhas, senões...
Moral da história: nunca parta do pressuposto de que o outro está entendendo o que se passa na sua cabeça ou que interpretou corretamente a sua mensagem. Parta do princípio de que o ser humano é um bicho bastante complicado e de que o combinado nunca é caro.

Vale registrar que, todas as vezes em que abri exceções a esse meu jeito "chato" de ser, eu me lasquei. O não combinado saiu muuuito caro (ou pelo menos me rendeu uma boa dor de cabeça).

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Irritante

Nada mais irritante do que sair de casa numa manhã de chuva em São Paulo. Tem gente que parece que é feita de açúcar: é só rolar uma garoinha que se derrete toda. E o trânsito, para variar, vira um caos.
Não é que seja uma maravilha o trânsito em São Paulo numa manhã de sol. Mas, por que é que com chuva tem que ser pior? As pessoas desaprendem a dirigir? A pista fica tão escorregadia assim que ao invés de 60km tem que rodar a 20km por hora? E não me venha com a desculpa de enchente, porque hoje não teve enchente em lugar nenhum, foi só garoinha boba.
Queridos, só é perigoso CORRER na chuva, não tem perigo dirigir como gente normal. Pelo contrário, isso é extremamente recomendável.
Será que as pessoas se esquecem que São Paulo é a terra da garoa e é preciso se acostumar com a chuva? Seguir em frente, viver a vida... Quem não sabe viver nessas condições devia se mudar para Mato Grosso, Rio Grande do Norte, Piauí, esses lugares em que quase não chove. E quando chove não tem problema, porque não tem tanto carro assim.
Se for em Natal, dá para dirigir bem devagarzinho nas dunas, igual os jegues que circulam por lá, correndo o único risco de ser atingido por um bugue... e com emoção!
Enfim, dá para medir o tamanho da minha irritação no dia de hoje, quando levei duas horas para chegar de casa a uma reunião importantíssima? E atrasada?
Até de tarde passa. Afinal, tenho que me preparar psicologicamente para a volta para casa, que promete não ser muito melhor do que esta manhã. Segundo a Band News, deve haver períodos de chuva esparsados durante todo o dia de hoje. Tô até pensando em aprender esses "troços" de meditação e yoga para ver se fico mais calminha. Mas só para praticar durante o trânsito, onde não tem nada para fazer. Ou então posso comprar aqueles CD's de aprenda "mandarim" sozinho. Considerando o tempo que passo no carro, em 01 mês serei fluente no idioma.

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Minhas Leituras de Julho de 2009

Já faz alguns anos que costumo cumprir um ritual todo começo de mês: saio do escritório no finzinho da tarde e páro no shopping Villa Lobos. Tomo um cafezinho na Kopenhagen para reabastecer as energias e me dirijo à Livraria Cultura, de onde só saio com as portas já fechadas.
Fico passeando no meio daquele monte de livros, folheando, lendo alguns pedaços, às vezes capítulos inteiros... Peço até sugestões dos vendedores, embora eles já saibam que quase sempre acabarei optando por tudo menos os livros que eles indicaram.
Levo muito a sério a escolha dos livros que lerei. E dificilmente os pegarei emprestados, pois para mim não há maior riqueza do que uma biblioteca. Quero envelhecer como o José Mindlin, cercado por 45.000 livros, lúcido aos 95 anos de idade, com uma sabedoria invejável.
Nesse meu ritual da livraria, costumo escolher somente os livros daquele mês específico. E não retorno até terminar de ler tudo. Não fico acumulando livros não lidos na minha estante. Isso acaba tendo um efeito muito bom, pois me deixa focada em ler rapidamente para voltar logo e adquirir as outras dezenas de livros que estou ansiosa para ler.
Na minha última visita à livraria, coincidentemente adquiri duas auto-biografias de mulheres do Oriente: "Minha Vida Como Traidora" (http://www.minhavidacomotraidora.com.br/livro.asp), de Zarah Ghahramani; e "Em busca de Fátima", de Ghada Karmi.
"Minha Vida como Traidora" é um livro tão marcante, mas tão marcante, que li em quatro dias e fiquei mais de uma semana digerindo tudo o que li. Conta a história de Zarah, uma garota nascida em Teerã (Pérsia, ou Irã) na época em que o poder estava sendo tomado pelos fundamentalistas religiosos. Dentro de casa, vivia uma vida diferente daquela imposta pelas escolas e pelo governo, pois sua família, mais liberal, lhe dava amplo acesso à leitura. Isso acabou gerando sua prisão assim que ingressou na universidade, já que se envolveu com o movimento estudantil e participou de tímidos protestos contra a ordem instalada na universidade, frise-se (protestos contra a demissão de um professor, por exemplo). As torturas que lhe foram impostas talvez só não tenham sido piores do que a morte. Mas ela não fala só de dor, em meio a seus relatos, há muito da cultura persa e referências à poesia e literatura. Vale muito a pena! Leia ontem!
Já o livro "Em Busca de Fátima" foi escrito por uma palestina expulsa de sua casa durante a fundação de Israel. Quando o governo britânico se retirou da Palestina, os imigrantes judeus entraram em guerra com os árabes e a maioria das famílias fugiram para países vizinhos. Ghada foi para a Inglaterra e lá viveu a maior parte de sua vida, mas sem nunca esquecer a terra perdida. Gostei bastante do livro pela história, mas achei que a forma de escrever é um pouco simplória, não flui como o livro da Zarah. Enfim, é para ser uma auto-biografia e não uma obra-prima literária, não é mesmo? E, nesse sentido, ela cumpre o seu papel.
Como mês passado eu li duas auto-biografias do oriente, neste mês, para equilibrar, estou lendo um livro que o meu irmão ganhou e me emprestou, pois esse eu nunca compraria por conta própria. É a biografia do Warren Buffett, um dos homens mais ricos do mundo, estadunidense e amante da Coca-cola. Ninguém vai poder falar que eu não sou democrática em minhas leituras. Quando terminar eu te conto.

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Programinhas culturais no inverno de São Paulo

Com esse frio que tem feito ultimamente, os melhores programas para o fim-de-semana em São Paulo são mesmo cinema e teatro.

Mês passado eu assisti um filme francês no Bristol, mas não sei se ainda está em cartaz em algum lugar. Chama-se “Inimigo Público nº 1 – Instinto de Morte” e conta a história real de um dos mais famosos e violentos assaltantes franceses da década de 60: Jacques Mesrine. Após servir a guerra na Argélia, ele volta para a França, onde ingressa no mundo do crime - começa invadindo casas vazias, até chegar aos assaltos a bancos e assassinatos. Num determinado momento, foge para o Canadá, onde continua “tocando o terror”.

Eu achei o filme extremamente violento e saí bastante chocada do cinema. Minha impressão foi de que uma pessoa tão má como esse Jacques Mesrine não merecia ter sua história contada para o mundo. Mas, enfim, para os meninos que gostam de ação, aviso que o filme é bem paradão, muito mais de violência do que de ação.

Outro filme que também não recomendo é “A Mulher Invisível”, com o Selton Mello e a Luana Piovani. Muito sem graça, muito bobinho. Me pareceu filme de criança. Mas o Marcio gostou. Ele disse que foi da história, embora eu esteja certa que foram as curvas da Luana Piovani que mais o impressionaram.

Filme bom mesmo foi o que eu vi domingo passado no Cinemark: “A Proposta”, com a Sandra Bullock. Não é só mais uma comédia romântica de Hollywood não. É muuuuuito comédia. Coisa de você gargalhar praticamente o filme inteiro.

Fomos com mais um casal e, obviamente, os homens não queriam ver esse filme, porque achavam que era coisa de mulher. No final, dava para ouvir mais a risada dos homens do que das mulheres. Portanto, é ótimo para quem quer fingir que está fazendo um grande favor para a namorada e, na verdade, vai fazer um favor a si mesmo. Você sai leve do cinema, de bem com a vida... Verdadeira terapia!

Esse filme, por sinal, foi muito melhor do que a peça de teatro que havíamos assistido no fim-de-semana anterior: “Advocacia Segundo os Irmãos Marx”, com a Heloísa Perissé, em cartaz no Teatro Folha. No que supostamente era para ser uma comédia, eu não consegui dar uma risada e não via a hora que acabasse: me deu sono. Não sei por que eu quis ver essa peça. Eu já tinha detestado “Cócegas”, com a mesma atriz. Acho que foi o título que me atraiu: advogado e Marx na mesma linha, rs. Para quem gosta do humor besta do “Zorra Total”, talvez valha a pena.

No mesmo teatro está em cartaz uma peça muito mais legal, que eu vi também há pouco tempo: “Confissões das Mulheres de 30”. As atrizes são as mesmas do seriado Mothern, da GNT, e são muito boas. Souberam retratar de uma forma bem-humorada as mazelas das balzaquianas. No meu caso, que já estou chegando nos 30, foi identificação total! Mas não tente levar um adolescente para assistir essa peça, porque ele não vai entender nada: é um humor direcionado para uma faixa etária maior.

Ainda na linha do teatro, recebi indicações ótimas de duas peças, que estão na minha lista de próximos programas obrigatórios: “A Alma Imoral”, em cartaz no Teatro Eva Herz (http://www.livrariacultura.com.br/teatro/alma_imoral.asp); e “As Centenárias”, em cartaz no Teatro Raul Cortez (http://www.fecomercio.com.br/pagina.php?tipo=20&pg=1319).

De outro lado, umas três pessoas ou mais já me disseram que foram ver “A Festa de Abigail”, acreditando nas ótimas críticas da Veja S. Paulo (quem mandou ler essa porcaria?), e se deram mal: simplesmente detestaram a peça. Portanto, não vou pagar para ver, rs.

Ainda falando em programação cultural, fui ver a “Cavalleria Rusticana”, de Pietro Mascagni, no Theatro São Pedro neste último sábado. Eu não gosto muito de ópera, mas essa eu curti bastante e é bem curtinha, não dá tempo de cansar. Se alguma orquestra apresentar novamente essa ópera no Brasil, eu recomendo.

Encerro aqui meu momento "crítica" de cinema e teatro e faço a ressalva que "gosto é gosto". Sendo assim, tudo o que eu detestei você pode adorar e vice-versa.

No próximo post vou falar das minhas leituras de julho.

domingo, 26 de julho de 2009

Poços de Caldas/MG


No último feriado (9 de julho – Revolução Constitucionalista) estive em Poços de Caldas/MG. Eu estava um pouco cansada de ecoturismo e quis fazer uma viagem conforto. Pegamos um hotel com pensão completa em uma cidade tranqüila, com o propósito único de relaxar.
A cidade é fofa, tem lugares lindos, como o Jardim Japonês e a Fonte dos Amores e até fábricas de cristais de “Murano” para visitação – e compras, obviamente.
Fizemos o passeio de teleférico até o morro mais alto da cidade, onde tem uma estátua do Cristo Redentor e descemos a pé - uma caminhada de uma hora, desfrutando a paisagem entre as curvas da estradinha.
É uma boa opção para quem não está no clima do agito de Campos do Jordão. As termas, com águas sulfurosas, teoricamente medicinais, existem desde a época de Getúlio e JK, que costumavam se hospedar no hotel mais antigo da cidade, o Palace Hotel.
Aliás, é na frente desse hotel que se realiza a Sinfonia das Águas, uma orquestra interessante, ao ar livre, durante os fins-de-semana do mês de julho. Eu achei bem engraçado, porque eles usam uns efeitos de luz e acham o máximo, rs. Por exemplo, toca a música do tubarão e eles fazem um desenho do tubarão com laser na parede ao fundo. Ou então, toca a música do ET e aparece um bichinho voando para o céu de bicicleta, tudo com laser, hahahaha. A cidade inteira vai assistir esse evento.
Poços é muito verde, repleta de jardins e praças e, próximo ao local onde se realiza a sinfonia das águas, há um café delicioso que fica aberto até as 22:00hs. É possível sentar-se no meio desse micro parque do Ibirapuera para tomar um café, um sorvete ou comer um sanduíche e admirar as estrelas entre as árvores.
Nós ainda tivemos tempo de ir conhecer o Golf Clube da cidade. Mesmo não sendo sócios e não entendendo nada do esporte, fomos muito bem recepcionados e ainda nos emprestaram tacos e bolinhas para brincarmos um pouco. Pagamos vinte reais para um caddy nos auxiliar (pegando as bolinhas) e também nos ensinar o básico. Jogamos por mais de uma hora! Fiquei com muita vontade de praticar esse esporte depois disso.
Ainda faltou visitarmos o Walter Parque (um parque temático de diversões da cidade) e patinarmos no gelo. Mas achamos que esses programas estavam um pouco infantis demais, considerando que seríamos os únicos adultos desacompanhados de crianças a fazê-los.
Apesar de tudo, da beleza do lugar, das diversas fontes de água espalhadas pela cidade, da hospitalidade, do conforto etc, fiquei meio entediada. Faltou aventura. Faltou colocar o pé na lama. Fazer trilha. Andar de barco. Faltou ecoturismo.
Foi nessa viagem que cheguei a uma conclusão que há tempos meus amigos já diziam: quem gosta de viagem de aventura não é só o Marcio não, sou eu também. Fazer só viagem conforto não tem graça. A não ser que o conforto venha depois de muito desconforto. O legal mesmo é acampar no mato por dois dias e depois passar outros dois num resort cinco estrelas. Ficar só no resort cinco estrelas os quatro dias não é tão legal assim. A gente tem que merecer, como se fosse uma recompensa.
Acho que é por isso que, quando fomos à Europa, a parte da viagem que mais curti foi a Alemanha, onde “mochilamos”: só andamos de trem e ônibus, cada dia inventávamos o próximo roteiro, íamos descobrindo sozinhos os lugares. Antes disso havíamos passado pela Itália de excursão, tudo programadinho, só hotelzinho bom, no conforto do ônibus e dos guias nos paparicando. Não foi tão legal assim.
Mas, voltando ao tema inicial, para quem quer descansar, comer bem, curtir um lugar romântico e família, Poços de Caldas vale a viagem e é muito perto de São Paulo. Ainda dá para ir para Águas da Prata, que é bem vizinha e também famosa por suas fontes.

Observação importante: se você for, não deixe de brincar numa das barraquinhas típicas de festa junina localizadas próximas ao Palace Hotel. Fiz o Marcio perder um dinheirão para tentar ganhar uma tartaruga gigante de pelúcia para mim nas argolas, mas nem a bola de plástico ele ganhou. Uma vergonha, considerando que um menininho de uns oito anos ganhou duas! Essa foi a única parte meio frustrante da viagem, apesar do Marcio até ter cogitado comprar a tal tartaruga. Mas comprar não tem graça, o legal é ganhar! Acho que vou voltar o ano que vem só para tentar de novo, rs.

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Cosmopolitan


Faz tempo que não escrevo nada. Mas o problema é justamente esse: o tempo, ou a falta dele. Só não sei se eu é que sou mal administradora do meu tempo ou se tenho trabalhado muito mesmo. E aí eu não posso reclamar, né? Melhor trabalhar demais do que “de menos”.

Enfim, agora que tenho um pouco de tempo, vou parar de falar dele antes que ele se acabe. Conversa de louca, hein? Hahahahaha.

Ontem eu fui a uma churrascaria com o Marcio e a família dele. Sei lá o que me deu, que resolvi pedir um Dry Martini. Mas eu estava imaginando aquele coquetel docinho, com uma frutinha dentro, naquelas taças triangulares super charmosas, iguais das meninas do seriado “Sex and the City”.

Para minha decepção, o que me chegou foi o drinque do James Bond, até com o gosto de James Bond. Ai que coisa foooorte! Só o 007 mesmo para conseguir engolir aquilo e ainda comer a azeitona.

Graças a um dos meus melhores amigos, o Mr. “Google” (conhece?), descobri o que eu queria beber e não consegui beber ontem. Era o “Cosmopolitan”.

Tem um lugar ótimo em São Paulo que serve esses coquetéis super charmosos, bem mais leves, que às vezes envolvem ou não o Martini, mas que sempre são servidos na taça do Martini: Bar Gabriel (http://www.bargabriel.com.br/gabriel1024.html). Fui lá há algum tempo (mais de ano) com minhas amigas e amei. Lembro que fizemos uma degustação de vários sabores, cada uma pediu um e ficamos trocando. Enfim, gostei mais da bebida do que da comida, mas talvez seja porque lá pelas tantas eu nem lembrava mais o prato que havia pedido.

Tenho ainda várias coisas para contar aqui. Minha viagem no feriado de 09 de julho para Poços de Caldas/MG, minhas aventuras no Paintball, o livro maravilhoso que já li este mês (“Minha Vida como Traidora”)... Só que, por absoluta falta de tempo, resolvi deixar esse post aqui sobre uma coisa bem inútil, como o Cosmopolitan. Espero que meus escassos leitores me perdoem. Quando eu tiver tempo, e de novo o TEMPO, juro que escrevo de novo e algo bem mais legal.

Bom tempo a todos!

terça-feira, 7 de julho de 2009

Minhas leituras (junho/2009)

Em junho eu li três livros. Comecei com “A Viagem do Elefante”, de José Saramago. Parei no meio e comecei “Rosa de Stalingrado”, de Valerie Bénaim e Jean-Claude Hallé. No mesmo dia em que terminei a Rosa, comecei e acabei, de um sopetão só, “O Menino do Pijama Listrado”, de John Boyne. Sem mais pretextos, fui obrigada a retomar aquele do Saramago, cuja leitura terminei sofrivelmente.

Dos três, o mais gostosinho de ler foi sem dúvida “O Menino do Pijama Listrado”, pois é uma história sobre um menino alemão de nove anos que vive do lado nazista de um campo de concentração e é contada praticamente toda sob o ponto de vista dele. Infelizmente, se eu der mais detalhes acabo por contar todo o livro, então fica como sugestão de leitura suave e curta – o livro tem apenas 186 páginas com letras grandes. E já adianto que o final é surpreendente.

A “Rosa de Stalingrado” é outro livro ótimo, mas um pouco mais denso. Conta a história real de um grupo de jovens mulheres que se tornaram membros de unidades femininas da aviação de guerra soviética: pilotos, mecânicas, navegadoras... Entretanto, tem que gostar bastante de estratégia militar e é legal já ter um conhecimento prévio dos conflitos e personagens que envolveram principalmente as batalhas entre Alemanha e União Soviética na 2ª Guerra Mundial, pois o livro presume esse pré-conhecimento do leitor, sendo muito rico em detalhes, mas não exatamente didático. Como eu já li biografias de Stálin e Hitler e outros livros relacionados, não tive grandes dificuldades com essa leitura. Agora, quem espera um romance, como pode sugerir o título, ficará decepcionado: a história pessoal da protagonista fica em segundo plano e é apenas um pretexto para abordar as batalhas travadas pela aviação soviética contra os nazistas.

Por fim, vamos tratar da “Viagem do Elefante”. Eu ganhei esse livro de uma amiga muito querida, a Sylvia, e vi como um sinal. Um sinal de que eu devia dar mais uma chance a Saramago. Afinal, eu já havia lido “O Evangelho Segundo Jesus Cristo” duas vezes: (i) a primeira, obrigada pelo colégio, detestei; (ii) a segunda, já na faculdade, por opção própria, detestei mais ainda.

Infelizmente, não foi dessa vez. Eu não consigo gostar do estilo de José Saramago de escrever: frases corridas, separadas por vírgulas, em que você confunde o narrador com os personagens e as falas dos personagens entre si. Além do que, não consegui ainda gostar do próprio conteúdo de seus textos. Não vi nada de mais na “Viagem do Elefante”.

Além da “viagem” e do “evangelho”, cheguei a ter contato com outra obra dele, mas através de um filme, que fiz questão de ver no cinema: “Ensaio sobre a Cegueira”, que me disseram que é um retrato fiel do livro. Não gostei. Meeeesmo. Até levantei no meio para ir ao banheiro.

Não sei o que acontece comigo, mas ainda não consegui entender a genialidade de um escritor tão consagrado pela crítica. Devo ter problemas. Ainda bem que eu tenho a Fe Sanna, minha amigona que adora o Saramago e para quem eu já emprestei o livro (sem necessidade de devolução).

A mim agora só resta escolher as leituras de julho. Mês que vem eu conto.

segunda-feira, 29 de junho de 2009

A injustiça de Michael

Só para contrariar a tendência mundial, minha intenção era não dizer uma palavra sobre a morte de Michael Jackson. Mas eu não agüento, não dá para ficar quieta diante de tamanha injustiça.
Eu cresci dançando e imitando os trejeitos de Michael Jackson. Minha mãe era fã e tinha todos os discos de vinil do cantor. Lembro-me que, em nossa primeira infância, já era uma rotina eu e o meu irmão brincarmos de imitar Michael, Elvis e Roberto (o da Jovem Guarda, não essa versão romântica de hoje), enquanto minha mãe limpava a casa com a vitrola no último volume. Teve também uma fase do Raul, que cantávamos a plenos pulmões, sem entender todo o sentido figurado existente por trás daquelas letras sem sentido.
Mas o Michael era unanimidade. Ele não era só um bom cantor. Ele dançava como ninguém, fazia caretas, dava aquela gargalhada de filme de terror, se fantasiava...um artista perfeito para a criançada.
O problema é que, à medida em que fui crescendo, a vida pessoal do ídolo Michael foi se sobressaindo ao seu talento musical. As músicas, as coreografias, não eram mais as mesmas. E o artista, com a aparência deformada, desapareceu em vida. Na verdade, para mim o Michael já havia morrido há muito tempo. Eu continuava a ouvir as músicas antigas, a assistir os clipes antigos, mas tudo como se ele não estivesse mais aqui. E não estava.
A imprensa, durante todos esses anos, resolveu literalmente ignorar o artista Michael, o talento de Michael, o significado que ele trouxe para o pop e também para outros ritmos musicais. Só se apontavam os seus desvios de conduta e sua automutilação.
Agora, só porque o cara morreu, de repente todo mundo lembrou que ele estava vivo? Que ele fora um dia talentoso? Que ele era rei disso e de não sei aquilo? Acho uma “puta” (desculpe o palavrão) injustiça isso que estão fazendo com o Michael. Todo mundo vendendo jornal, vendendo anúncio, vendendo CD, reverenciando e lucrando em cima daquele que foi massacrado até o último suspiro...
Se era para homenagear, se era para reconhecer, que o fizessem enquanto ele estava aqui para ver, oras! Ele não ficou mais talentoso ou menos escória só porque morreu. Mas a mídia descobriu que é muito mais lucrativo depreciar aquele que está vivo e valorizar aquele que está morto...

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Férias Parte II: Canindé/Xingó


Como prometido, vou continuar o relato das minhas férias em Sergipe enquanto a memória ainda está fresca...
Depois da visita à foz do rio São Francisco e já hospedados na cidade de Canindé, tratamos de agendar um passeio de catamarã ao famoso Canyon do São Francisco. Sem contar a paisagem, magnífica, esse dia valeu muito pelo banho de rio.
Mas o dia seguinte, em que nos utilizamos também de um catamarã para navegar o lado oposto do Velho Chico, foi mais interessante. Primeiro, porque choveu o tempo todo, o que tornou a aventura mais difícil. Segundo, porque ouvimos muitas histórias de Lampião, Maria Bonita e seu bando, praticamente idolatrados pelo povo daquela região. Terceiro, porque tirando eu e o Marcio, todos os outros ocupantes do barco eram animadíssimas senhoras da melhor idade, que me inspiraram muito sobre como quero viver daqui a uns 60 anos.
O catamarã, apesar da garoinha chata, parou à beira do rio para que os mais corajosos, dispostos a entrar mata adentro e serem atacados por gigantescas “mutucas”, conhecessem a grota do Angico, onde Lampião, Maria Bonita e mais nove cangaceiros foram emboscados, mortos e degolados pela volante do tenente João Bezerra. A trilha durava uma hora, mas não faltaram septuagenárias dispostas a enfrentá-la. Deu gosto de ver.
Depois ainda houve duas paradas: uma na cidade de Entremontes (AL), para conhecer o belo trabalho de suas bordadeiras, e outra em Piranhas (AL), cidade alagoana em que o bando de Lampião teve suas cabeças expostas em uma escadaria.
Findo o passeio de barco, primeiro fomos almoçar e depois nos dirigimos à Companhia Hidroelétrica do São Francisco (CHESF), para solicitar uma visita guiada à usina de Xingó. Foi bem interessante, com ricas explicações técnicas e históricas e também com direito a parada sobre a barragem para fotos.
Ficamos quatro dias hospedados em Canindé de São Francisco. O hotel, o melhor da região (embora bastante simples), tinha uma vista maravilhosa da barragem de Xingó. O único problema é que quase nunca podíamos desfrutar dessa paisagem, porque era só abrir a janela para entrar uma dezena de mutucas no quarto. Também sofremos um pouco com a falta de água quente. Nunca tomei banhos tão rápidos na minha vida!
A maior vantagem do hotel, porém, foi conhecer um simpático garçom, o Júnior. Foi em um dia em que estávamos sentados no restaurante do hotel, meio preguiçosos depois do almoço farto, conversando sobre o Irã e sua recente crise política. O garçom então pediu licença e fez algumas perguntas sobre a geografia daquele país. Quando nos demos conta, as perguntas acabaram se invertendo e lá estava ele, o garçom da pequena cidade de Canindé, nos dando aulas sobre a história do Irã, do Oriente Médio, Israel...
Perguntamos de onde ele tinha tirado tanta informação. A reposta: da Bíblia. Tudo bem, eu li a Bíblia e às vezes até leio alguns trechos aleatoriamente. Mas o cara memorizou a bíblia inteira! Aquele cidadão simples e teoricamente sem recursos se mostrou uma pessoa extremamente inteligente, com uma retórica impecável e toda uma cultura adquirida de uma única fonte! Fiquei encantada.
Enfim, após termos conhecido tudo o que dava para conhecer do Velho Chico e das figuras mais simpáticas que por ali habitavam, resolvemos voltar para Aracaju, antes passando pela histórica cidade de São Cristóvão (primeira capital de Sergipe), onde D. Pedro II chegou a se hospedar. Nesta cidade, fizemos um divertido city tour com um guia local (divertido, porque eu não conseguia entender uma palavra do que ele dizia) e visitamos alguns monumentos históricos, entre eles um museu de arte sacra bem bonito que fica no prédio do antigo convento de São Francisco. Recomendo a visita.

terça-feira, 23 de junho de 2009

Férias: A Foz do São Francisco


Acabo de voltar de oito dias de férias no calor do sertão sergipano, acompanhada do meu marido e dos meus sogros. Objetivos da viagem: (i) conhecer a foz do rio São Francisco, (ii) conhecer o Canyon do São Francisco, (iii) visitar a usina de Xingó, e (iv) não brigar com a minha sogra (rs).
São muitas as impressões e reflexões que trago dessa viagem, de modo que vou contar parte delas em textos separados, conforme o tempo me permitir (volta de férias é sinal de trabalho dobrado no escritório).
No primeiro dia fomos até a foz do Rio São Francisco. Deixamos o nosso carro na beira do rio, na pequena cidade de Brejo Grande, e contratamos um barquinho a motor para nos levar até a foz, onde o rio encontra o mar.
O dono do barco disse que o passeio demoraria ao todo uma hora e meia. Mas durou três. Apesar da lentidão do barco e da fome (embarcamos às 13:00hs, sem almoço), valeu a pena! A paisagem é linda, muita natureza, muitos pássaros, barquinhos de pescadores, um charme. E quando se chega ao encontro do rio com o mar, o que se vê é um cenário paradisíaco, indescritível. Além disso, o dono do barco tinha um filho que teoricamente serviria de marinheiro, mas na verdade ele gastou as três horas de navegação falando, falando, falando... Foi bastante engraçado e nós ficamos sabendo de todos os “causos” das redondezas.
Quando, famintos, voltamos a Brejo Grande, onde não existia nenhum restaurante aberto àquela hora, o barqueiro nos levou à casa da dona Neusa, na beira do rio. Enquanto ela nos preparava uma bela refeição, com direito a peixe frito, caranguejo e frango (especial para mim, que não como peixe), ficamos sentados na varanda, observando algumas mulheres que aproveitavam as águas limpas do Velho Chico para lavarem suas roupas e arear suas panelas (vou ter que falar com a minha empregada, as panelas de lá brilhavam beeeem mais do que as minhas).
Com o tempo, começaram a chegar alguns homens e crianças, que entravam no rio com bicicleta e tudo: tomavam banho e limpavam a bicicleta cheia de barro ao mesmo tempo. Aquela gente simples dando risada, confraternizando às margens do rio após um dia de trabalho no campo foi uma imagem muito gostosa e reconfortante de ver.
Como mera espectadora, não pude deixar de refletir muito sobre a forma como esses brasileiros encaram a vida, tão diferente da gente aqui da cidade grande, ou aqui do sul, como eles costumam dizer.
Embora estejamos no inverno, no nordeste nunca faz frio. O máximo que acontece é uma chuvinha, mas aquela chuvinha quente, gostosa, daquelas que a gente tem vontade de ficar embaixo se refrescando. O resultado imediato é que o calçado oficial no interior são as sandálias “havaianas” e o lazer principal é conversar com os vizinhos na porta de casa, ou dar uma volta pela pracinha da igreja.
Aquelas pessoas que vivem em casinhas pequenas, às vezes em povoados, às vezes no meio do nada (muitas delas são casas de pau-a-pique, sempre com uma antena parabólica em cima), levam uma vida simples, humilde, mas feliz. Eles têm tudo o que precisam: a água do rio, os peixes e caranguejos que lhes dão o sustento, e muito calor humano. Eles podem ser pobres em bens materiais, mas são milionários em satisfação e felicidade.
Mas voltando aqui ao meu relato das férias, foi naquela tranqüilidade da varanda da Dona Neusa que almoçamos, jogamos conversa fora e, quando vimos, lá estava o sol se pondo sobre o São Francisco: o mais belo pôr-do-sol da minha vida!
O problema é que escureceu e ainda tínhamos que enfrentar uns 200 km de estrada desconhecida até a cidade de Canindé, onde nos hospedaríamos. Em nossos planos, gastaríamos umas duas horas para percorrer o trajeto todo. Não contávamos com as estradinhas em péssimo estado, sem sinalização, e com o pneu furado. No final, foram cinco horas e meia de viagem.
Passamos por tudo o que é povoado perguntando a direção, já que as estradas não tinham nenhuma placa. Quando furou um pneu, naquela escuridão, tivemos que tirar todas as malas do carro para pegar o estepe, usando os celulares (que estavam sem sinal) como lanternas.
Apesar de tudo, achei essa parte do trajeto muito divertida, pois conversamos muito com os moradores e demos muitas risadas da nossa própria desgraça quando o pneu estourou. Se fosse na correria aqui de São Paulo, que a gente não tem paciência nem com a fila do banco, não sei se eu encararia esses inconvenientes de forma tão calma.
A lição que eu tirei de tudo isso é que não adianta se estressar, não adianta ter pressa. Os problemas existem de acordo com a dimensão que damos a eles.

quinta-feira, 11 de junho de 2009

Eu ia

Eu ia postar alguma coisa nova só depois das minhas férias... Mas como só viajo no sábado e hoje está frio, comecei a "fuçar" esse tal de blog e seus recursos.

Descobri que um dos meus amigos não tem um, mas dois blogs (http://marciotaquaral.blogspot.com/; http://aridez-arquivo.blogspot.com/) ! E descobri também que dá para mudar o visual, classificar as postagens por temas e um monte de coisas mais. Agora o negócio está ficando complicado e eu tô com medo é de desanimar, vou ficar perdendo um tempão nos acessórios que, quando chegar a hora de escrever mesmo, eu já terei desistido, sei não...

Mas, mudando um pouco de assunto, já que cheguei na parte em que comecei a escrever (depois de ter acrescentado mais algumas informaçõezinhas ao meu perfil), gostaria de registrar aqui o meu protesto contra essa Lei de Murphy! Por que é que toda hora em que eu começo a escrever alguma coisa no computador, principalmente quando eu estou em casa, a cachorra começa a latir, o telefone toca, o zelador interfona, ou o mala (LINDO!) do meu marido vem me pentelhar, como está fazendo exatamente agora? Deixa eu ir ver o que ele quer e, agora é sério, só escrevo de novo na semana que vem!

quarta-feira, 10 de junho de 2009

As razões

Dia desses eu estava com dois amigos em Pinheiros, tomando uma sopinha no Consulado Mineiro (o buffet de sopas é ótimo, eu recomendo - http://www.consuladomineiro.com.br/), e o Doca, um deles, começou a contar do seu blog - que, aliás, é muito legal e trata principalmente da forma como ele encara as corridas de rua das quais ele participa: http://corridasdodoca.blogspot.com/

Bom, entre uma sopinha de carne de sol e outra de feijão, eu comecei a dar uns pitacos no blog dele - básico eu fazer isso -, sugerir temas diferentes, contar histórias inteiras para incluir lá... Foi quando de repente eu me lembrei que sempre quis escrever alguma coisa.

Quando eu era criança, entre minhas tantas aspirações (advogada, dançarina, pintora, veterinária etc), tinha também a de ser escritora.

Primeiro, eu queria escrever um romance. Mas isso foi na minha fase pré-adolescente, mais sonhadora. Porque lá pelos 16 anos, fui ficando mais "realista" e resolvi que escreveria uma novela sobre a vida cotidiana, igual àquelas do Manoel Carlos (que eu particularmente acho as melhores, embora muitos possam dizer que não existe novela boa e embora esses muitos sejam uns hipócritas que assistem novela escondidos).

Cheguei até a escrever dois capítulos da minha primeira novela, que era ambientada em Veneza, na Itália, e tinha como pano de fundo vários segredos entre as famílias do casal protagonista. Até a trilha sonora eu já tinha escolhido, rs. Por algum motivo, entre uma aula de inglês, outra de violão e o pré-vestibular, acabei largando a novela de lado. (o mais engraçado é que, embora essa novela fosse em Veneza, eu só fui conhecer a cidade mesmo em 2007, mais de 10 anos depois. Eu estava quase como um Chico Buarque e sua Budapeste).

Após essa fase, já na faculdade de Direito, e vendo que eu não ia ter tempo de escrever nada, passei a me contentar em só ler o que os outros escreviam e a sonhar que, quem sabe, na aposentadoria, eu não escreveria um livro de crônicas.

Afinal, foi durante a faculdade que fiquei viciada no seriado norte-americano do comediante "Seinfeld" (http://www.sonypictures.com/tv/shows/seinfeld/), que nada mais é do que uma série sobre o nada, ou melhor, uma série que encara de forma divertidíssima as situações mais comuns. Eu me lembro que chegava da faculdade à noite e meu irmão mais novo já estava me esperando para darmos umas boas gargalhadas juntos assistindo às reprises do dito seriado. Naquela época o metabolismo ajudava e eu me dava ao luxo de comer um pratão de arroz, feijão e bife às 11:30 da noite (buffet de sopa era coisa de velho, rs).

Falando em faculdade, foi lá na PUC (época de movimento estudantil) que eu me dei conta de que a Veja e outras revistas semanais eram verdadeiros instrumentos de alienação da burguesia e que eu só leria para saber como as massas estavam sendo manipuladas e poder criticar depois. Depois de um tempo acabei me cansando de ler só para criticar porque comecei a ficar muito nervosa, rs.

É verdade que eu passei a ter essa visão bem mais crítica e que eu nunca comprei um semanário que não fosse a Caros Amigos ou a Carta Capital depois do segundo ano da faculdade. Mas, como o meu pai, meus sogros, meus tios e quase todo mundo que eu conheço insiste em continuar sendo parte dessa burguesia alienada pela direita, sempre tem uma dessas revistas "dando sopa" por aí e sempre que vejo já estou indo direto para a última página da Veja S. Paulo, onde encontro aqueles textos ótimos de autores variados, como o Walcyr Carrasco.

Então, agora, eu acho que eu quero escrever sobre situações cotidianas mesmo, mas não em formato novela, que eu não vou ter paciência, e tampouco em formato seriado, que eu não vou ter repertório ou capacidade - imagine, querer ser um Seinfeld da vida, eu posso até ser louca mas não sou convencida!

Sendo assim, passando pelos romances, novelas - teve uma fase de poesia aí no meio, mas dessa eu tenho até vergonha - e as crônicas, acabei ficando aqui, no blog mesmo.

Foi naquela minha conversa com o Doca, o meu amigo blogueiro, que me veio a luz: melhor eu entrar nessa onda de blog logo, porque senão, do jeito que eu fui adiando o meu projeto de ser "escritora", vou acabar meus dias escrevendo só petições e pareceres jurídicos (ou nem isso).

Então é isso, comecei. Agora vou sair de férias uma semana e na volta vou ver se tenho coragem de escrever mais. Porque até agora, se for pensar bem, eu acabei não escrevendo nada mesmo, rs.