terça-feira, 11 de agosto de 2009

Minhas Leituras de Julho de 2009

Já faz alguns anos que costumo cumprir um ritual todo começo de mês: saio do escritório no finzinho da tarde e páro no shopping Villa Lobos. Tomo um cafezinho na Kopenhagen para reabastecer as energias e me dirijo à Livraria Cultura, de onde só saio com as portas já fechadas.
Fico passeando no meio daquele monte de livros, folheando, lendo alguns pedaços, às vezes capítulos inteiros... Peço até sugestões dos vendedores, embora eles já saibam que quase sempre acabarei optando por tudo menos os livros que eles indicaram.
Levo muito a sério a escolha dos livros que lerei. E dificilmente os pegarei emprestados, pois para mim não há maior riqueza do que uma biblioteca. Quero envelhecer como o José Mindlin, cercado por 45.000 livros, lúcido aos 95 anos de idade, com uma sabedoria invejável.
Nesse meu ritual da livraria, costumo escolher somente os livros daquele mês específico. E não retorno até terminar de ler tudo. Não fico acumulando livros não lidos na minha estante. Isso acaba tendo um efeito muito bom, pois me deixa focada em ler rapidamente para voltar logo e adquirir as outras dezenas de livros que estou ansiosa para ler.
Na minha última visita à livraria, coincidentemente adquiri duas auto-biografias de mulheres do Oriente: "Minha Vida Como Traidora" (http://www.minhavidacomotraidora.com.br/livro.asp), de Zarah Ghahramani; e "Em busca de Fátima", de Ghada Karmi.
"Minha Vida como Traidora" é um livro tão marcante, mas tão marcante, que li em quatro dias e fiquei mais de uma semana digerindo tudo o que li. Conta a história de Zarah, uma garota nascida em Teerã (Pérsia, ou Irã) na época em que o poder estava sendo tomado pelos fundamentalistas religiosos. Dentro de casa, vivia uma vida diferente daquela imposta pelas escolas e pelo governo, pois sua família, mais liberal, lhe dava amplo acesso à leitura. Isso acabou gerando sua prisão assim que ingressou na universidade, já que se envolveu com o movimento estudantil e participou de tímidos protestos contra a ordem instalada na universidade, frise-se (protestos contra a demissão de um professor, por exemplo). As torturas que lhe foram impostas talvez só não tenham sido piores do que a morte. Mas ela não fala só de dor, em meio a seus relatos, há muito da cultura persa e referências à poesia e literatura. Vale muito a pena! Leia ontem!
Já o livro "Em Busca de Fátima" foi escrito por uma palestina expulsa de sua casa durante a fundação de Israel. Quando o governo britânico se retirou da Palestina, os imigrantes judeus entraram em guerra com os árabes e a maioria das famílias fugiram para países vizinhos. Ghada foi para a Inglaterra e lá viveu a maior parte de sua vida, mas sem nunca esquecer a terra perdida. Gostei bastante do livro pela história, mas achei que a forma de escrever é um pouco simplória, não flui como o livro da Zarah. Enfim, é para ser uma auto-biografia e não uma obra-prima literária, não é mesmo? E, nesse sentido, ela cumpre o seu papel.
Como mês passado eu li duas auto-biografias do oriente, neste mês, para equilibrar, estou lendo um livro que o meu irmão ganhou e me emprestou, pois esse eu nunca compraria por conta própria. É a biografia do Warren Buffett, um dos homens mais ricos do mundo, estadunidense e amante da Coca-cola. Ninguém vai poder falar que eu não sou democrática em minhas leituras. Quando terminar eu te conto.

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