sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Combinado não é caro!

Quem me conhece bem, às vezes se incomoda um pouco com esse meu jeito repetitivo de esclarecer as coisas.
Quando, numa segunda-feira, combino com uma amiga um jantar para o sábado, por exemplo, pergunto-lhe umas três vezes, no decorrer da semana: então sábado, em tal lugar, a tal horas, né? Sempre penso que ela pode se esquecer do compromisso, pode errar o lugar, ou simplesmente pode me deixar esperando uma hora sozinha na mesa porque errou o horário.
Para o Marcio é a mesma coisa. Quando peço para ele pagar uma conta no dia seguinte, invariavelmente, no dia seguinte, antes de sair de casa, deixo a conta no meio da carteira dele para ele lembrar meeesmo. E antes do fim do expediente bancário, ligo de novo para confirmar se a conta já foi paga. Mesmo assim, não foram raras as vezes em que ele esqueceu de pagar a conta, apesar de tantos lembretes, porque, afinal, "- não é sempre você quem paga as contas, querida?".
Ou quando vou falar com a mulher do Ourocard: " - Então, Fulana de Tal, você entendeu que eu quero cancelar o meu cartão. Mas é o do BB e não da CEF, hein? Quer anotar de novo o número? Repete para eu ver se você entendeu direito. Isso, isso mesmo. Então obrigada por cancelar o meu cartão nº xxxxxx, do BB e não da CEF e ainda bem que esta ligação está sendo gravada às XXhoras do XXdia".
Na vida profissional, não gosto de firmar acordos verbais. Nada como um contrato escrito, minucioso e claro sobre as regras do jogo. Quem faz o quê, em que momento, data do pagamento etc etc.
Parece coisa de louca? Pois é, parece. Mas não é. Eu já vivi o suficiente para aprender que a comunicação é algo muito complexo. E o bom senso é a coisa mais subjetiva do mundo! Só existe na cabeça de cada um. O que é claro para uma pessoa, pode não ser tão claro para a outra.
Então, principalmente no ambiente de trabalho, mesmo quando se tratar de um projeto que não envolva valores em pecúnia, é importante traçar bem as funções, obrigações e deveres de cada parte envolvida. Porque, em algum momento, alguém vai dizer que não era bem assim que tinha ficado entendido. E aquela conversa tão clara, tida lá atrás, se torna bastante complexa, cheia de subentendidos, entrelinhas, senões...
Moral da história: nunca parta do pressuposto de que o outro está entendendo o que se passa na sua cabeça ou que interpretou corretamente a sua mensagem. Parta do princípio de que o ser humano é um bicho bastante complicado e de que o combinado nunca é caro.

Vale registrar que, todas as vezes em que abri exceções a esse meu jeito "chato" de ser, eu me lasquei. O não combinado saiu muuuito caro (ou pelo menos me rendeu uma boa dor de cabeça).

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